⚠️ Opinião Honesta (e Dolorosa)
10 Jogos para morrer
antes de jogar
Uma lista 100% pessoal, sem pudor e sem dó. Esses jogos não são só ruins — eles são uma agressão ao seu tempo livre, à sua sanidade e, em alguns casos, à humanidade inteira.
Redação•Junho 2025•Leitura: ~9 min (ou o tempo de zerar qualquer jogo desta lista)
Todo mundo tem uma lista de jogos que ama. Esta não é essa lista. Esta é a lista dos jogos que eu olho para trás e penso: “por que, Deus? Por quê?” Alguns foram comprados com dinheiro suado, outros foram indicados por amigos que claramente me odeiam. Todos, sem exceção, roubaram horas preciosas da minha vida que jamais voltarão. A opinião aqui é completamente pessoal — mas convenhamos, no fundo você sabe que eu tenho razão. Leia, sofra junto e compartilhe com aquele amigo que quase te convenceu a jogar algum desses.
⚠️ AVISO LEGAL (LEIA ANTES DE CONTINUAR)
O autor desta matéria não se responsabiliza por crises existenciais, vontade de vender o videogame, brigas com amigos que recomendaram esses títulos ou qualquer trauma decorrente de ter jogado qualquer um dos títulos abaixo. Você foi avisado.
💀 A lista do terror (do menos ao mais sofrível)
#10
Ubisoft · 2014
Watch Dogs (o primeiro)
🎮 Mundo Aberto · PS4/Xbox One/PC
Ah, Watch Dogs. O jogo que a Ubisoft mostrou na E3 2012 com gráficos deslumbrantes e prometeu revolucionar o mundo aberto com hacking. O que chegou às lojas em 2014? Um protagonista tão carismático quanto uma placa de trânsito — Aiden Pearce, o homem mais sério e chato da história dos games, usando um chapéu horrível como se isso fosse suficiente para uma personalidade. O hacking, que era o grande diferencial, resumia-se a apertar um botão enquanto assistia uma animaçãozinha. O mundo de Chicago parecia cinza não por estilo, mas porque aparentemente ninguém na Ubisoft conhecia a paleta de cores. A história de vingança era tão previsível que você adivinhava o vilão na primeira cena. A empresa pediu desculpas (não oficialmente) lançando Watch Dogs 2, que foi infinitamente melhor — o que diz muito sobre quão baixo era o bar.
💬 “Passei 20 horas esperando o jogo ficar divertido. Ele nunca ficou. Meu chapéu de cowboy tem mais personalidade que Aiden Pearce.”
#9
Traveller’s Tales · 2006
Superman Returns
🦸 Ação · Xbox 360/PS2/PC
Imagine ter o Superman — o homem mais poderoso do universo — e ainda assim fazer um jogo entediante. Missão cumprida, Traveller’s Tales. Em Superman Returns, você voava por Metrópolis em missões tão empolgantes quanto pagar boleto. O sistema de “saúde da cidade” era um primor da genialidade: você não morria, a cidade morria. Então você ficava protegendo Metrópolis de ameaças genéricas enquanto o jogo lembrava constantemente que você é imortal — mas não invulnerável ao tédio. Os gráficos já eram medíocres no lançamento e a câmera parecia ter sido programada por alguém com pavor de altura. Irônico para um jogo de super-herói voador.
💬 “Conseguiram fazer o Superman chato. O SUPERMAN. Deixa eu absorver isso por um segundo… Tá. Ainda não acredito.”
#8
Rebellion · 2014
Rambo: The Video Game
🔫 Rail Shooter · PC/PS3/Xbox 360
A pergunta que ninguém fez e ninguém queria resposta: “como seria jogar os filmes do Rambo em um rail shooter de 2014 com gráficos de 2004?” Pois bem. A Rebellion resolveu responder. Rambo: The Video Game é um dos raros casos em que você consegue sentir o desrespeito dos desenvolvedores pela própria franquia em cada frame renderizado. Os gráficos pareciam um jogo de PlayStation 2 com filtro de HD mal aplicado, a jogabilidade era apertar gatilho em inimigos que ficavam parados esperando morrer (ao menos eram honestos) e a dublagem fazia o filme original parecer Oscar. John Rambo merecia mais. Nós merecíamos mais.
💬 “Os inimigos ficavam parados esperando eu atirar neles. Pelo menos alguém nesse jogo tinha paciência — eu não tinha.”
#7
Konami · 2016
Metal Gear Survive
☣ Survival · PS4/Xbox One/PC
A Konami expulsou Hideo Kojima da empresa e resolveu usar os assets de Metal Gear Solid V para fazer um jogo de sobrevivência com zumbis chamados “wanderers”. Se você já não estava bravo com a Konami por causa do Kojima, Metal Gear Survive foi o tapa com luva de pelúcia que transformou tudo em socos reais. O jogo cobra microtransação para criar um slot extra de save. Leu certo. Um slot de save. Pago. Separadamente. A história é absurda no pior sentido, o gameplay é uma versão piorada de MGSV sem a genialidade por trás e o nome “Metal Gear” na capa é o único motivo pelo qual alguém chegou perto dessa obra. Kojima estava certo em ir embora.
💬 “Pagei para criar um slot de save. Repito: paguei. Para criar. Um slot de save. Estou bem, obrigado.”
#6
Titus Software · 1999
Superman 64
🦸 Ação · Nintendo 64
O lendário. O infame. O eterno. Superman 64 não é apenas um jogo ruim — é um fenômeno cultural da incompetência. Você passa o tempo voando por argolas no meio de uma névoa verde. Não é metáfora: literalmente argolas. Com névoa. A Titus Software criou uma névoa permanente em Metrópolis não por questões estéticas, mas porque o Nintendo 64 não conseguia renderizar a cidade. Os controles do Superman eram tão ruins que voar em linha reta parecia uma conquista pessoal. Considerado por décadas o pior jogo já feito, ele abriu caminho para todos os jogos ruins que vieram depois — uma herança sombria que não pedimos. O fato de aparecer em rankings de piores jogos há mais de 25 anos consecutivos é, ironicamente, uma longevidade que muitos jogos bons não têm.
💬 “Voar por argolas em névoa verde por horas. Essa é a missão. Isso. Esse é o jogo do Superman. Me deixa chorar um pouco.”
#5
Capstone Software · 1994
Plumbers Don’t Wear Ties
🎭 “Aventura” · 3DO
Existe um ponto no abismo da criatividade humana onde os princípios fundamentais do que é um “jogo” simplesmente deixam de existir. Plumbers Don’t Wear Ties habita esse ponto. O jogo é, literalmente, uma sequência de fotos estáticas de atores com texto por cima e escolhas que mudam qual sequência de fotos você vai ver. Não há animação. Não há gameplay. Há fotos. Com um narrador. E uma história romântica tão constrangedora que você vai querer desligar o 3DO e ir fazer outra coisa — qualquer outra coisa. Lavar louça. Reorganizar gavetas. Contemplar o infinito. Tudo é preferível. O legado deste “jogo” é aparecer em todo lista de piores títulos da história, o que é a única coisa remotamente interessante que ele fez pela humanidade.
💬 “É um slideshow de fotos com narrador. Chamaram isso de jogo. Em 1994. E alguém comprou. Alguém pagou por isso.”
#4
2K Sports · 2019
WWE 2K20
🤼 Esportes/Luta · PS4/Xbox One/PC
WWE 2K20 chegou ao mercado tão quebrado que parecia uma instalação artística sobre o colapso da indústria. Luchadores com rostos derretidos, lutadores atravessando o ringue como fantasmas, personagens se recusando a fazer movimentos básicos e um bug — famoso demais — que fazia o jogo travar automaticamente todo dia 1º de janeiro de 2020, como se o próprio jogo não quisesse existir no novo ano. Solidariedade, WWE 2K20. A 2K chegou a pedir desculpas publicamente e cancelou o próximo jogo anual para refazer tudo do zero. Quando a própria empresa abandona sua série por causa de um lançamento, a mensagem está clara.
💬 “O jogo travava no Ano Novo. O JOGO não queria ver 2020 chegar. Francamente? Bom senso impecável.”
#3
Stellar Stone · 2003
Big Rigs: Over the Road Racing
🚛 Corrida (teórica) · PC
Big Rigs: Over the Road Racing é, sem discussão possível, um dos maiores acidentes industriais da história dos games. Os caminhões adversários não se movem. Você ganha automaticamente toda corrida. O caminhão pode atravessar montanhas, edifícios e o vazio do além sem resistência alguma. Indo de ré, o veículo acelera infinitamente — fisicamente impossível, mas Big Rigs não se preocupa com física. Uma das telas de vitória diz literalmente “YOU’RE WINNER !” — com ponto de exclamação fora do lugar, como se nem a gramática tivesse se comprometido com o projeto. O jogo foi lançado inacabado, sem a menor cerimônia, e se tornou uma lenda. O Metacritic deu nota 8 de 100. A GameSpot deu 1.0 e disse que era generosidade.
💬 “YOU’RE WINNER ! — e esse ponto de exclamação mal colocado me persegue em sonhos até hoje.”
#2
Atari · 1982
E.T. The Extra-Terrestrial
👾 Aventura · Atari 2600
O jogo que quase destruiu a indústria de videogames inteira. Não é hipérbole — é história documentada. E.T. foi desenvolvido em apenas cinco semanas para aproveitar o sucesso do filme, e chegou tão ruim que o Atari enterrou literalmente milhões de cartuchos no deserto do Novo México — fato que pareceu lenda urbana por décadas, até arqueólogos escavarem o local em 2014 e confirmarem tudo. O jogo consistia em cair em buracos involuntariamente e tentar sair deles — repetidamente — em busca de peças de um telefone. A mecânica era tão confusa que o manual precisava de 12 páginas para explicar algo que nunca fez sentido de qualquer forma. O crash da indústria americana de games em 1983? E.T. foi um dos principais responsáveis. Esse cartucho é um criminoso de colarinho branco.
💬 “Caía em buracos. Saía dos buracos. Caía de novo. Trinta e tantos anos depois ainda não sei qual era o objetivo.”
#1
Stellar Stone / Ubisoft · 2013
Ride to Hell: Retribution
💀 O Pior de Todos os Tempos · PS3/Xbox 360/PC · Nota Metacritic: 16
Quando as pessoas perguntam qual é o pior jogo de todos os tempos, Ride to Hell: Retribution aparece com tanta consistência que parece uma lei da física. A nota 16 no Metacritic para versão PC não é erro de digitação. É um jogo ambientado nos anos 60 sobre motociclistas onde o protagonista Jake parece ter sido programado por alguém que nunca viu um ser humano se mover. As animações são tão erradas que parecem deliberadas. As cenas de sexo — sim, existem — são tão mecanicamente perturbadoras que foram usadas como exemplo do que nunca fazer em desenvolvimento de jogos. A história é uma mistura de vingança, gangues e escolhas narrativas que parecem escritas por um gerador aleatório de frases. Os bugs não são falhas — são recursos não documentados. E o pior: foi lançado pela Ubisoft, que deveria ter parado tudo no momento em que viu o build final. O legado de Ride to Hell: Retribution é ser o medidor absoluto de qualidade — se um jogo for pior que isso, provavelmente não existe.
💬 “Metacritic 16. Dezesseis. Como se 15 fosse humilhante demais. Alguém na equipe de review teve misericórdia e jogou um ponto extra.”
🏅 Menções (des)honrosas
Esses quase entraram na lista. Quase. Mas passaram longe o suficiente para receberem apenas uma citação envergonhada:
Shaq Fu (1994)
Jogo de luta com Shaquille O’Neal lutando contra alienígenas. O conceito absurdo poderia ser genial. Não foi. Tornou-se meme vivo por décadas.
Sonic ’06 (2006)
Lançado às pressas para o Natal, cheio de bugs, tempos de carregamento absurdos e uma cena romântica entre Sonic e uma humana que nenhum de nós pediu.
Postal III (2011)
Terceira entrada numa franquia que já não era pra crianças. Ficou tão ruim que o próprio criador original da série desaprovou publicamente. Isso é novo nível.
Alone in the Dark: Illumination (2015)
Nota 10 no Metacritic. Dez. Não é nota alta — é a menor nota possível na plataforma. Um survival horror que não assusta nem a si mesmo.
Zelda: Wand of Gamelon (1993)
Um dos piores jogos da franquia Zelda — o que é uma proeza considerando a qualidade geral da série. CD-i Zelda é trauma geracional.
Haze (2008)
Prometeu ser o “Halo Killer” do PS3. Virou o “Halo que ninguém queria matar” — esquecido antes mesmo do fim do mesmo ano.
📜 Conclusão Filosófica
O que aprendemos com tudo isso?
Jogos ruins nos ensinam algo que jogos bons não conseguem: resiliência. Se você sobreviveu a Superman 64, a E.T. ou a um único minuto de Ride to Hell: Retribution, você é uma pessoa mais forte. Mais sábia. Mais rápida para checar o Metacritic antes de comprar. A história dos games é feita de obras-primas — mas também de catástrofes gloriosas que, de forma torta e dolorosa, nos fizeram valorizar ainda mais os jogos que realmente importam. Ou simplesmente nos deixaram com raiva. Provavelmente os dois.
Qual jogo te fez sofrer mais?
Discorda da lista? Tem um candidato que ficou de fora? Manda ver nos comentários — mas avisa se for sugerir algo pior que Ride to Hell, porque talvez eu precise de apoio emocional antes de pesquisar.
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